sábado, 5 de agosto de 2017

Fortaleza recebe a Feira do Cordel Brasileiro


CAIXA Cultural Fortaleza recebe a II Feira do Cordel Brasileiro com lançamento no dia 17 de agosto (quinta-feira).
A Feira do Cordel Brasileiro acontece de 17 a 20 de agosto de 2017, em espaços da CAIXA Cultural Fortaleza, sob curadoria do cordelista e editor Klévisson Viana.



O Ceará se perpetua como o maior polo produtor de Literatura de Cordel desde os longínquos tempos da Tipografia São Francisco, em Juazeiro do Norte, posteriormente rebatizada de Lira Nordestina. A partir da década de 1990 essa produção acentuou-se na capital do Estado, sobretudo após o surgimento de associações de poetas, trovadores e folheteiros, tais como o CECORDEL, AESTROFE, entre outras, além da consolidada casa editorial TUPYNANQUIM Editora e da noviça Cordelaria FLOR DA SERRA.
Diante disso, Fortaleza sediará mais uma grande festividade literária ligada ao cordel e ao repente. Após o sucesso da primeira edição da Feira do Cordel Brasileiro: “Uma caixa de Cordéis para você!”, realizada em 2016, é o momento de reeditar e engrandecer o evento, que certamente será sucesso de mídia e de público. O lançamento será às 14 horas do dia 17 de agosto (quinta-feira), no teatro da CAIXA Cultural Fortaleza. A iniciativa é da AESTROFE (Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará) com patrocínio da CAIXA Econômica Federal e Governo Federal com o apoio cultural da Tupynanquim Editora, Cariri Filmes, Editora Imeph, Programa A Hora do Rei do Baião e Premius Editora.
            A programação 100% GRATUITA segue até dia 20 de agosto e reúne vários dos principais expoentes da Literatura de Cordel no País, além de emboladores, cantadores de viola e da música regional. Entre as atrações estão os músicos-cordelistas Jorge Mello, parceiro de Belchior em aproximadamente 40 canções; o cordelista, repentista e sambador Mestre Bule-Bule; a médica, cantora e cordelista Paola Torres; os grupos Tempo de Brincar; o jovem Rafael Brito e a Rabecaria; dos forrós Kutuca a Burra e Cacimba de Aluá. O evento conta ainda com show de repente pela dupla Geraldo Amâncio e Guilherme Nobre, além de muitas declamações pelos cordelistas Chico Pedrosa, Antônio Francisco, Klévisson Viana, Evaristo Geraldo, Lucarocas, Paulo de Tarso, Raul Poeta, Arievaldo Vianna e Tiago Monteiro.
            A feira traz ainda palestras, lançamentos literários, oficinas, a exibição do documentário “Cego Aderaldo – o Cantador  e o Mito”, de Rosemberg Cariry, como também a exposição e venda de folhetos de cordel, livro, camisetas e CDs. A curadoria é do cordelista e editor Klévisson Viana, vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura (2015) com o livro "O Guarani em cordel" (Ed. Amarylis, baseado na obra de José de Alencar).
Nesta edição, os homenageados serão o repentista Cego Aderaldo (50 anos de morte), os cordelistas Gonçalo Ferreira (80 anos), Arievaldo Vianna (50 anos), o Mestre Bule-Bule (70 anos), Zé Maria de Fortaleza (60 anos de viola) e o cordelista e xilogravador Mestre José Costa Leite (90 anos de vida e 72 anos de arte).
            A II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO objetiva incentivar a leitura da poesia de cordel, além de promover e fomentar o encontro entre o público em geral com os cordelistas, editores, repentistas, ilustradores e xilogravuristas da nossa tradicional literatura popular em verso. Apesar do linguajar simples e informal, a literatura de cordel é, hoje, revista como importante manifestação literária, pois é compreendida como uma das nossas primeiras manifestações poéticas em língua portuguesa, tendo sua origem na produção oral trovadoresca. Neste sentido, a Literatura de Cordel vem sendo cada vez mais aceita e estudada pelas academias e já possui uma Academia Brasileira de Cordel, fundada em 07 de setembro de 1988 com sede no Rio de Janeiro.
            Com cerca de 30 expositores, a II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO na CAIXA Cultural Fortaleza, durante os quatro dias de realizações - de 17 a 20/08/2017 - será um rico encontro entre os representantes do gênero, que também oferece ao público a oportunidade de conhecer a expressiva produção do melhor do cordel, da cantoria e da xilogravura nacional.

Serviço:
II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO
Local: CAIXA Cultural Fortaleza
Endereço: Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema
Data: De 17 a 20 de agosto de 2017
Horários: De quinta-feira a sábado, das 14h às 20h | Domingo de 14 às 19h
Classificação indicativa: Livre
GRATUITO

Acesso para pessoas com deficiência e assentos especiais
Bilheteria CAIXA Cultural Fortaleza: (85) 3453-2770
Atendimento à imprensa:
Helena Félix – (085) 99993-4920 / pontualcomunicacao@gmail.com e
Kiko Bloc-Boris – 
(085) 98892-1195 / kikobb@gmail.com

Assessoria de Imprensa da CAIXA Cultural Fortaleza (CE)
Kelvia Alves – (085) 99943-4767 / kelvia.souza@grupoinforme.com.br

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PROGRAMAÇÃO COMPLETA
17 DE AGOSTO (Quinta-feira)
Teatro da Caixa:
14h – Abertura oficial da II Feira do Cordel Brasileiro
Homenageados:
1.    Cego Aderaldo – 50 anos de morte | Gonçalo Ferreira – 80 anos |
2.    Arievaldo Viana – 50 anos | Mestre Bule-Bule – 70 anos |
3.    Zé Maria de Fortaleza – 60 anos de viola | José Costa Leite – 90 anos

14h40 – Apresentação da peça “Bagunça dos Brinquedos” (adaptação do cordel de Mariane Bigio) com Crianças do Pio IX (PI)

Palco Cego Aderaldo:     
15h – Forró de raiz com Cecília do Acordeom (Redenção - CE)
15h30 – Rafael Brito e a Rabecaria (Fortaleza - CE)
16h – Declamação com Tiago Monteiro (Pocinhos - PB)
16h30 – Declamação com Paulo de Tarso (Tauá - CE)
17h – Tempo de Brincar (Sococaba - SP)
18h – Geraldo Amâncio e Guilherme Nobre (Fortaleza - CE)
19h – Mestre Valdeck de Garanhuns (Guararema - SP)

18 DE AGOSTO (Sexta-feira)
Teatro da Caixa:
14h – Palestra “Receitando Cordel” com os médicos cordelistas Paola Torres (Fortaleza-CE), Sávio Pinheiro (Juazeiro do Norte-CE) e Breno de Holanda (Fortaleza-CE). Mediação: Assis Almeida (Fortaleza-CE)
14h – Oficina de xilogravuracom Sergio Magalhães (Itapajé – CE)
14h – Oficina de xilogravura com João Pedro do Juazeiro (Fortaleza – CE)
Palco Cego Aderaldo:
16h – Recital com Evaristo Geraldo da Silva (Alto Santo – CE), Lucarocas (Fortaleza – CE) e Arievaldo Viana (Caucaia – CE)
17h – Declamação com Dideus Sales (Aracati – CE)
17h30 – Embolada com Marreco e convidado (Fortaleza – CE)
18h15 – Mestre Valdeck de Garanhuns (Guararema - SP) em “A grande peleja de Benedito com Guilherme Nobre”
19h15 – Mestre Chico Pedrosa (Olinda – PE)

19 DE AGOSTO (Sábado)
Teatro da Caixa:
14h – Palestra “A Literatura de Cordel no panorama brasileiro” com Jorge Melo (São Paulo – SP), Marco Haurélio (São Paulo-SP), Oswald Barroso (Fortaleza – CE). Mediação: Eduardo Macedo (Fortaleza – CE)
14h – Oficina de Cordel com Rouxinol do Rinaré (Fortaleza – CE)

Palco Cego Aderaldo:
15h – Recital com Antônio Francisco (Mossoró - RN)
16h – Tempo de Brincar (Sorocaba - SP)
17h – Raul Poeta (Juazeiro – CE)
18h – Tião Simpatia e o show “Canto Cordel” (Fortaleza – CE)
19h – Mestre Bule-Bule (Camaçari – BA)

20 DE AGOSTO (Domingo)
Teatro da Caixa:
14h – Palestra “Cego Aderaldo, o trovador do Nordeste” com o cineasta, escritor e pesquisador Rosemberg Cariry (Fortaleza-CE), o historiador João Eudes Costa (Quixadá-CE) e com o pesquisador e cordelista Arievaldo Viana (Caucaia-CE). Mediação: Poeta Orlando Queiroz

Palco Cego Aderaldo:     
16h30 – Chico Pedrosa (Olinda-PE) e Antônio Francisco (Mossoró - RN)
17h30 – “Kutuka a Burra” – Forró Pé de Serra (Fortaleza – CE)
17h30 – Canções de Viola com Antônio Jocélio (Fortaleza – CE)
18h – Marco Lucena (RJ) e Cacimba de Aluá (Fortaleza – CE)
19h – Encerramento com o Mestre Bule-Bule (Camaçari – BA)

EXPOSITORES:
1 - ABLC – Rio de Janeiro – RJ
2 - AESTROFE – Fortaleza - CE 
3 - CECORDEL – Fortaleza – CE
4 - Olegário Alfredo e Ricardo Evangelista – Belo Horizonte – MG
5 - Rouxinol do Rinaré – Fortaleza – CE
6 - Evaristo Geraldo da Silva – Alto Santo – CE
7 - Francisco Melchiades – Fortaleza – CE
8 - Arievaldo Viana – Caucaia – CE
9 – Eduardo Macedo
10 - Valentina Monteiro – Campina Grande – PB
11 - Nonato Araújo – Fortaleza – CE
12 - João Pedro do Juazeiro – Fortaleza – CE
13 - Valdeck de Garanhuns – Guararema – SP
14 – Regina Drozina – Guararema – SP
15 - Chico Pedrosa – Olinda – PE
16 – Editora Coqueiro – Olinda – PE
17 – Tupynanquim Editora – Fortaleza – CE
18 – Edições Patabego
19 – Cordelaria Flor da Serra
20 – Francorli – Juazeiro do Norte – CE
21 – José Lourenço – Juazeiro do Norte – CE
22 – Geraldo Amâncio e Guilherme Nobre – Fortaleza – CE
23 – Lucarocas (Fortaleza – CE)
24 – Jotabê
24 – Francisco Melchíades


SOBRE OS HOMENAGEADOS

ü  CEGO ADERALDO (Aderaldo Ferreira de Araújo) – 50 anos de morte (24 de junho de 1878 + 29 de junho de 1967)
No dia 29 de julho de 2017 completaram-se 50 anos do desaparecimento daquele que é considerado um dos mais importantes poetas populares nordestinos, Aderaldo Ferreira de Araújo - o famoso Cego Aderaldo. Nascido no Crato (CE), ele veio morar muito jovem na cidade de Quixadá (CE), depois de ficar órfão de pai, empregando-se na estrada de ferro. Cegou aos 18 anos. Trabalhava abastecendo uma caldeira quando tomou um copo de água fria e os olhos estalaram imediatamente, fazendo com que perdesse a visão pelo resto da vida. Comprou então o seu primeiro instrumento e descobriu que sabia fazer versos. Achava humilhante ter que pedir esmolas por isso exerceu diversas profissões: além de cantador foi comerciante e exibia filmes num cinematógrafo lhe presenteado por Ademar de Barros, ex-governador de São Paulo.
ü  GONÇALO FERREIRA – 80 anos
Cearense da cidade de Ipu, o poeta, contista e ensaísta Gonçalo Ferreira da Silva nasceu no dia 20 de dezembro de 1937. Aos 14 anos transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde, em 1963, publicou pela Editora da Revista Rural Fluminense o primeiro livro: “Um resto de razão”, coletânea de contos regionais do Nordeste. Em 1978 iniciou sua produção de literatura em cordel, quando, ao realizar estudos sobre cultura popular na Fundação Casa de Rui Barbosa, conheceu o pesquisador Sebastião Nunes Batista e em companhia dele passou a frequentar a Feira de São Cristóvão. Muito exigente com a forma, tem estrofes primorosas em seus mais de 200 trabalhos já publicados. Também escreveu livros em prosa, como uma biografia romanceada do cangaceiro Lampião. É fundador e atual presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC, situada no bairro de Santa Tereza (RJ).

ü  ARIEVALDO VIANNA (Arievaldo Vianna Lima) 50 anos (18 de setembro de 1967)
Nascido aos 18 de setembro de 1967 na fazenda Ouro Preto (Sertão Central do Ceará), o escritor Arievaldo Vianna foi criado à luz de lamparina, em contato permanente com as cacimbas dos saberes do povo nordestino. Foi alfabetizado em meados de 1970, graças ao valioso auxílio da Literatura de Cordel. Estreou na imprensa em 1982 no Jornal de Canindé e, logo em seguida, passou a publicar seus trabalhos no Caderno de Domingo do jornal O POVO, de Fortaleza. A partir dos anos 1980 vem publicando diversos folhetos, alguns em parceria com Gonzaga Vieira, Klévisson Viana, Pedro Paulo Paulino, Jota Batista e Sílvio Roberto Santos, entre as dezenas de livros com temática diversa e mais de 120 folhetos de cordel já publicados. É também xilogravador, chargista e ilustrador. Participou, ao lado de Dominguinhos, Assis Ângelo e Sinval Sá, de documentário da TV Câmara de Brasília sobre o Centenário de Luiz Gonzaga.
Criador do projeto “Acorda Cordel na Sala de Aula”, que utiliza a poesia popular como ferramenta paradidática, tem percorrido o Brasil realizando palestras, oficinas e recitais para estudantes, educadores e amantes da poesia popular nordestina. Foi eleito em 2000 para a cadeira de número 40 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, cujo patrono é o poeta João Melchíades Ferreira (1869 – 1933). Conquistou o premio Domingos Olimpio de Literatura, promovido pela Prefeitura de Sobral-CE, com a adaptação do romance “Luzia Homem” para o cordel. Foi redator e consultor de uma série de programas sobre Literatura de Cordel, exibida pela TV ESCOLA (Programa “Salto para o futuro”). Tem vários livros adotados em programas governamentais, como o PNBE, do Ministério da Educação.

  MESTRE BULE-BULE (Antônio Ribeiro da Conceição) – 70 anos (22 de outubro de 1947)
Um dos mestres da cultura popular nordestina mais renomados do Brasil, Antônio Ribeiro da Conceição, cujo nome artístico é Bule-Bule, nasceu em 22 de outubro de 1947 na cidade de Antônio Cardoso (BA), uma região onde as influências culturais do sertão e do recôncavo baiano se misturam e contribuíram decisivamente para o arcabouço artístico deste grande poeta. Figura emblemática da cultura popular, também é um excelente cordelista com mais de 100 títulos publicados; um exímio sambador e tiraneiro, além de forrozeiro de grande valor, tendo todas estas virtudes comprovadas nos oito discos e dois DVDs gravados em mais de 45 anos de carreira.
Ao longo da trajetória, Bule-Bule fez shows e concedeu palestras nos quatro cantos deste Brasil e do mundo. Já dividiu o palco com renomadas figuras como Gilberto Gil, Beth Carvalho, Gabriel o Pensador e Tom Zé, em apresentações nos Estados Unidos, na Alemanha, Espanha e em Portugal. Em 2008, Bule Bule foi condecorado com a maior premiação brasileira para a Cultura, a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura, e em 2017 foi um dos homenageados da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará.

  ZÉ MARIA DE FORTALEZA (José Maria do Nascimento) – 60 anos de viola
            Zé Maria de Fortaleza é o nome artístico de José Maria do Nascimento, nascido em Aracoiaba (CE) em 07 de agosto de 1945. É cantador, repentista, músico, ator e cordelista. Membro da Academia Brasileira da Literatura de Cordel (ABLC), cadeira nº 24, que tem como patrono o poeta Francisco Sales Areda. Vice-presidente da Academia Brasileira de Cordel (ABC), filiado à Ordem dos Músicos do Brasil, à União dos Compositores Cearenses (UCC), à Associação dos Cantadores do Nordeste (ACN), à Sociedade dos Amigos da Arte (SOAMA) e vice-presidente da Associação de Escritores Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará (AESTROFE). Também cursou Teoria Musical no Conservatório de Música Alberto Nepomuceno e foi certificado nos cursos “Influência afro na cultura brasileira” e “História da música popular brasileira”.
Há muitos anos vem ministrando cursos, palestras e oficinas sobre a literatura de cordel em vários estados brasileiros. Tem dezenas de cordéis publicados, além de três (03) livros: “Gramática em cordel” (Editora IMEPH), “A lenda do vaga-lume” (Escala Educacional – SP) e “Fragmentos da literatura popular cearense”, este em parceria com Dr. Antônio Ferreira. Zé Maria tem ainda 10 CDs gravados e três (03) DVDs. Apresenta semanalmente o programa “Canta Brasil”, na Rádio Cidade AM 860, em Fortaleza (CE).

  JOSÉ COSTA LEITE – 90 anos (27 de julho de 1927)

José Costa Leite diz que nunca frequentou a escola tradicional, tendo aprendido a ler soletrando os folhetos de cordel. Nascido em 27 de julho de 1927 em Sapé (Paraíba), muda-se em 1938 com a família para Pernambuco, fixando residência em Condado, cidade aonde mora até hoje. Ainda criança trabalhou nas plantações de cana-de-açúcar e fez os seus primeiros versos, imitando o cordel. Em 1947 começa a vender folhetos nas feiras do interior e, em 1949, publica os seus primeiros títulos: “Eduardo e Alzira” e “Discussão de José Costa com Manuel Vicente”. Logo em seguida, improvisa-se como xilógrafo, gravando na madeira a imagem que ilustra o seu terceiro título “O rapaz que virou bode”. Torna-se assim, um profissional polivalente, exercendo todas as atividades ligadas à literatura popular: é poeta, editor, ilustrador e continua a vender folhetos, de feira em feira.
Ele verseja sobre praticamente todos os temas do cordel, sendo José Costa Leite o autor de clássicos como “A carta misteriosa do Padre Cícero Romão Batista”, “O dicionário do amor” e “Os dez mandamentos, o Pai Nosso e o Credo dos cachaceiros”. Além das histórias em verso, publica anualmente o “Calendário Brasileiro”, almanaque astrológico de 16 páginas contendo diversos conselhos práticos e um grande sucesso junto ao público. Denomina sua folhetaria “A Voz da Poesia Nordestina”. Em 1976, recebeu o Prêmio Leandro Gomes de Barros da Universidade Regional do Nordeste (Campina Grande - Paraíba) pelo conjunto de sua obra, talvez a mais extensa da literatura de cordel brasileira, em número de títulos.
Suas xilogravuras ilustram inúmeros folhetos – tanto os seus, como os de outros poetas – e ganharam status de obra de arte, a partir dos anos 1960, quando passaram a ser publicadas em álbuns e expostas em museus, tanto no Brasil como no exterior. Em 2005, José Costa Leite foi o convidado especial de uma exposição realizada no Musée du Dessin et de l’Estampe Originale de Gravelines (França), onde também fez ateliês de xilogravura.

Ao completar 80 anos, em 2007, foi homenageado na Paraíba, juntamente com o escritor Ariano Suassuna, recebendo o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, reconhecimento máximo a um artista de múltiplos talentos, que faz da poesia e da beleza a matéria-prima do seu labor. As informações sobre José Costa Leite constam em entrevistas dadas a Everardo Ramos nos anos de 2000, 2005 e 2008. (Fonte: www.casaderuibarbosa.gov.br/cordel).

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Estrelas daqui e de Portugal

Ilustração de Taisa Borges

A estrela, quando corre,
Deixa um caminho no céu;
O rapaz, quando namora,
Leva jeito no chapéu.

As estrelas do céu correm
Todas numa carreirinha;
Assim correm os amores
Da tua beira pra minha.

Lá no céu tem sete estrelas,
Todas sete emparelhadas.
Uma é minha, outra é de vós,
 Outra de minha mãe amada.

No céu há dezoito estrelas
Todas postas numa linha;
Quis Deus escrever com elas:
“Eu sou teu e tu és minha”.




Nota: A literatura oral fascina pela originalidade e pela universalidade. E nisso não há qualquer contradição. A primeira e a terceira quadras acima reproduzidas são de minha recolha do cancioneiro baiano, que redundou no livro Lá detrás daquela serra (Peirópolis,2013). A segunda e a quarta integram o Cancioneiro de Viana do Castelo, de Afonso do Paço (Braga, Livraria Cruz e Cia.,1928). Notem-se, em que pesem as similaridades, as diferenças sutis. Na terceira, por exemplo, a referência ao Setestrelo (Plêiades) dispensa maiores explicações. Na quarta, as 18 estrelas equivalem a cada letra da frase do verso final.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Paulo Nunes Batista: 93 anos de um mito do cordel


Hoje, Paulo Nunes Batista, monumento da história do cordel, completa 93 anos. Nascido na capital paraibana, a 2 de agosto de 1924, filho do poeta pioneiro Francisco das Chagas Batista, uma das colunas da literatura de cordel, e de Hugolina Nunes da Costa, integra uma família de grandes talentos em variadas áreas, com destaque sempre para a poesia.

Seu avô materno é Ugolino Nunes da Costa, filho de Agostinho Nunes da Costa, ambos poetas de nomeada. É irmão de Sebastião Nunes Batista, inesquecível pesquisador da literatura popular em verso, e também poeta, e de Maria das Neves Batista Pimentel, que também era poeta, mas assinava seus folhetos sob o pseudônimo Altino Alagoano, mãe do grande folclorista Altimar Pimentel, o maior coletor de contos tradicionais deste país.

Paulo escreveu muitos folhetos e romances, incluindo o clássico Zé Bico-Doce. Domina todos os gêneros e estilos, sendo, ainda, exímio sonetista.

Parabéns, Mestre!

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O sertão e os sertões de cada um de nós



Em Terra de sol, obra clássica de Gustavo Barroso, há uma descrição impressionante do sertão, território contraposto ao litoral: “Quem das brancas praias do Ceará demanda o interior das terras, nota que todo o terreno sobe, muito sensivelmente, da orilha do Atlântico para o sertão. (...) Quando o pau-branco se esgalhar entre cerrados de rompe-gibão, troncos altos de catandubas elegantes, e ao olhar se estenderem vastas caatingas de juremas raquíticas, ensombrando touceiras de coroa de frade; quando cortarem o terreno largas lajes de granito e xisto argilosos, quartzitados, se esbarrondarem nas ribanceiras, por entre lascas de calcário endurecido, lenta e silenciosamente se transformando em mármore, — aí começa o sertão”. 

A origem da palavra é controversa, mas, Gustavo Barroso logrou elucidá-la, consultando antigos dicionários portugueses. Descobriu, por exemplo, que a palavra já era empregada em Portugal e, na África, antes de 1500. É corruptela de muceltão, palavra de que se originou a corruptela certão, que indica uma região longe da costa (Frei Bernardo Maria de Carnecatim, Dicionário da língua bunda de Angola, 1804). Neste sentido, pluralizada, serviu a Euclides da Cunha na epopeia Os Sertões (1902). 

A literatura se serviu da caatinga e do cerrado, biomas que compõem o sertão brasileiro, em obras seminais, como Vidas secas, de Graciliano Ramos, Terras do sem fim, de Jorge Amado, e Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. Este último narra a jornada mítica do jagunço Riobaldo, narrador do romance. No cinema, Glauber Rocha, no exuberante Deus e o Diabo na Terra do Sol, traduziu o sertão em imagens desconcertantes, dando, mais uma vez razão a Guimarães Rosa, provando que, mais que um lugar, o sertão é uma construção do espírito: "Sertão é dentro da gente”. 

domingo, 23 de julho de 2017

Um cordel para Câmara Cascudo

Ilustração de Jô Oliveira
A cultura não está
Somente nos alfarrábios.
Há doutores pouco doutos
E matutos muito sábios.
O néctar da inteligência
Pode vir de rudes lábios.

O Brasil é a nação
Que da mistura se fez.
Em sua alma há muitas almas,
Se olhamos com sensatez,
Enxergamos um país
Mestiçado em sua tez.

Por guardião da cultura,
Armado de espada e escudo,
O Brasil teve um guerreiro
Que sabia quase tudo
E sempre prestará preito
Ao gênio Câmara Cascudo.

O nome de São Luís,
Foi dado por garantia
Para que não sucumbisse
Ao crupe, à difteria.
Para gáudio do Brasil,
Ele sobreviveria.

Menino livre, peralta,
Ouvidos d’alma aguçados,
Desde cedo conviveu
Com as chulas, os reisados,
As histórias de Trancoso,
Os ritos, os encantados.

O pai, Francisco Cascudo,
Grande contador de histórias,
Foi, com saudade, evocado
Em inúmeras memórias.
Ser o pai de Cascudinho:
A maior de suas Glórias.

Já a mãe Ana Maria,
A imagem da ternura,
Serviu a ele de bússola
Quando a via fez-se escura,
Iluminando pra sempre
A sua literatura.

O menino fez-se homem
E brilhante professor,
Da cultura popular
Foi o grande difusor.
Das tradições brasileiras
Mostrou, com arte, o valor.

Os aboios dos vaqueiros,
Os gênios da cantoria,
As rezas e benzeduras,
Os devotos de Maria.
As superstições, os medos,
Tudo ele registraria.

Recolheu e comentou
Diversos contos e lendas,
Nas praias, várzeas e campos,
Nos alpendres das fazendas,
Não esqueceu as cirandas,
Os ditados e as parlendas.

Estudou, com muito afinco,
Os romances de cordel,
Perscrutou, com grande acerto,
Da oralidade ao papel,
Como nasceu e vingou
A arte do menestrel.

Investigou os costumes,
Os temores do demônio,
Vislumbrou informações
Em Dante, Ovídio Petrônio,
Trouxe luzes sobre a crença
No bom frade Santo Antônio.

Enalteceu a Mãe África,
Saudando a rainha Ginga,
Estudou a capoeira,
Esmiuçou a mandinga.
Do baralho da cultura,
Cascudo é nosso Coringa.

Em vida o maior dos sábios
Do Rio Grande do Norte,
Ao lado de sua Dhália,
Julgou-se um homem de sorte.
E disso ninguém duvida,
Porque vive além da morte.

Apesar de ser católico,
Fez de sua casa um templo
De devoção ao saber,
Que eu, seu seguidor, contemplo.
E legou a todos nós,
Como láurea, o seu exemplo.

Hoje, está no tempo eterno,
Com Dhália e os seus dois filhos,
Fernando e Ana Maria,
Que seguem por outros trilhos,
Pelas veredas do céu,
Nas quais vemos quatro brilhos.

Há trinta anos, partiu
Nosso maior folclorista.
Porém eu prefiro crer
Que o Celestial Artista
Quis ter perto dele um gênio,
Pra enriquecer sua lista.

C ontudo, aqui neste plano,
A inda rendemos preito,
M as jamais lamentaremos
A quilo que não tem jeito.
R eceba de todos nós
A mor, estima e respeito.

C âmara Cascudo é símbolo
A temporal de cultura.
S eu exemplo é nossa luz,
C hamando-nos lá da altura.
U m abraço, grande mestre,
D e nossa casa terrestre
O seu legado perdura.


Nota: O poema acima reproduzido foi publicado em folheto que homenageou Luís da Câmara Cascudo em seus 30 anos de encantamento (1986-2016). A iniciativa foi apoiada pelo Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo, por meio de sua presidente, Daliana Cascudo, neta do eminente folclorista. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Glosas no Dia do Trovador


Ontem, 18 de julho, Dia do Trovador, postei esta foto com o multi-artista Antônio Nóbrega e o seguinte poema:

Poeta? Nem chego perto,
E isso quem contestará?
Poeta é Zé Adalberto
Do Caroço do Juá.

Folclorista? Não me iludo.
Não me chame folclorista,
Onde Câmara Cascudo
Ocupa o topo da lista.

Sou eterno buscador
Da poeira das estradas,
Garimpeiro, coletor,
De belezas bem-guardadas.

E entre risos, mágoas, dores,
Nos carreiros do sertão,
Ajudo a regar as flores
Do Jardim da Tradição.

Em seguida, outro nordestino genial, Braulio Tavares, saiu-se com esta glosa na tradicional modalidade "Nos oito pés a quadrão":

Uma dupla de marmanjo
fazendo cara de anjo,
se exibindo com um banjo,
cheios de amostração.
São artistas nordestinos,
são gurus e são meninos,
são tonhetas, são ladinos,
nos oito pés a quadrão.

Ao que respondi:

No repique de mil sinos,
Nos acordes dos destinos,
Nos vaqueiros-beduínos
Do Saara e do sertão,
A nossa arte está em festa,
Cantando do povo a gesta,
Nossa vocação é esta
Nos oito pés a quadrão.

A poesia que nos irmana e nos ilumina.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

A arte "primitiva" do Nordeste



Somos um povo que não se reconhece como povo. Achamos bonitas as manifestações da cultura espontânea, mas não nos identificamos com elas. São bonitas à distância, com seu colorido, seu pitoresco, sua “brasilidade”. Elas, no entanto, integram um mundo à parte do meu. Têm uma única função: entreter turistas. E basta.

Dias atrás, num consultório, à espera de atendimento, assisti, pela primeira vez, ao programa “Encontro”, com Fátima Bernardes. Chico César estava por lá, ia ser feita uma homenagem a Ariano Suassuna, por ocasião de seus noventa anos de nascimento, e seria apresentado um trecho da peça O Auto do Reino do Sol, de autoria do meu amigo Braulio Tavares. Tudo ia bem até o momento em que os desenhos armoriais de Suassuna, baseados na heráldica e na simbologia sertaneja, vieram à baila. Foi aí que a apresentadora, disse algo mais ou menos assim: “Estes desenhos lembram as pinturas rupestres do Nordeste”.

Fiquei estupefato. A arte rupestre existe em todos os quadrantes. O desenho de um cavalo, animal desconhecido de nossos primeiros habitantes, foi o que ensejou o comentário de dona Fátima, talvez mal amparada conceituação de Niède Guidón, que chamou de Tradição Nordeste o conjunto muito peculiar de pinturas e gravuras da Serra da Capivara, no Piauí. Em que pese a brutal ignorância no que que concerne à arte pré-histórica ou ao movimento Armorial, o que chamou a atenção foi mesmo à referência ao Nordeste, tratado, quase sempre, nos meios de comunicação, como uma região descolada da realidade nacional, do Brasil “moderno”, produtivo, industrializado. O próprio Ariano foi tratado, reiteradas vezes, pela apresentadora como grande ícone da “cultura nordestina”. Ele que, inspirado por Gil Vicente, Calderón de la Barca, Lope de Vega, Plauto e Shakespeare, talvez seja – a opinião é muito pessoal – o mais universal de nossos dramaturgos.

A simples suposição de que o homem primitivo do “Nordeste” – que, como região, só existe há bem pouco tempo – tinha um estilo próprio oculta, de fato, um dos preconceitos mais arraigados nos meios ditos pensantes deste país.

No campo da literatura infantojuvenil, a coisa não é muito diferente. Em livros premiados, já deparei informações estapafúrdias, que passam a impressão de um Nordeste homogêneo, assolado pela seca, com um único bioma, a Caatinga, e povoado por pessoas tristes. Nesse circo dos horrores, mandacaru tem miolo, juazeiro seca durante a estiagem, a ponto de perder todas as folhas (!), e a Zona da Mata e a Caatinga parecem situar-se na mesma faixa geográfica.

Essa gente precisa comer um bom cortado de palma. Que, se não cura todos os preconceitos, é uma excelente receita contra a anemia. 

terça-feira, 11 de julho de 2017

Bafafá na Arca de Noé (DCL), parceria com Anabella López, será lançado dia 29, em São Paulo



Bafafá na Arca de Noé, parceria com Anabella Lopez, é meu segundo livro pela DCL. O primeiro, para quem não se lembra, é Mateus, esse boi é seu, ilustrado por Jô Oliveira, publicado em 2015. A história gira em torno da disputa dos animais para saber quem pode ou não entrar na arca. É, portanto, uma fábula sobre as diferenças escrita em quadras, modalidade poética muito presente nas rondas e brincadeiras infantis. 



Abaixo, algumas páginas internas, nas quais se pode observar o belíssimo trabalho da Anabella. 


 


SERVIÇO:

O quê? Lançamento: Bafafá na arca de Noé, de Marco Haurélio e Anabella López (DCL )

Quando? 29/7, SÁBADO, das 15h às 18h 

Onde? Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915)

Haverá oficina de desenhos com a ilustradora Anabella López.


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