quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Lançamento: Cordéis de Arrepiar (Europa)


Cordéis de arrepiar é uma coleção da editora IMEPH, de Fortaleza, criada por Arlene Holanda e coordenada por ela e pelo poeta Rouxinol do Rinaré. Reúne contos populares da tradição oral de vários povos. Os primeiros volumes, África e América, foram escritos por Rouxinol do Rinaré e seu irmão, Evaristo Geraldo, e ilustrados por Edu Sá. O terceiro volume, com contos disseminados pelo continente europeu, numa vasta área que vai da Irlanda à Rússia, conta com três textos do poeta e pesquisador da literatura popular, Marco Haurélio. Esta inusitada coletânea está entre as dez obras finalistas ao Prêmio Jabuti 2017 na categoria Adaptação.

Teig O’kane e o Cadáver é um conto sobrenatural que William Butler Yeats (1865-1939), poeta e coletor das tradições populares de seu país, a Irlanda, incluiu na coletânea Fairy and Folk Tales of the Irish Peasantry (Contos de fadas e folclóricos da Irlanda rural). A presença dos anões transportando o cadáver é o traço cultural celta mais evidente. É preciso ressaltar que a palavra fada, que remete, em latim, ao destino, fatum, se aplica aos anões, verdadeiros agentes da transformação por que passa o protagonista em sua jornada noturna. A estrofe inicial já remete à prova a que se submeterão protagonista:

Quem anda na senda escura,
Com passo ligeiro ou tardo,
Terá de levar um dia
Da vida o pesado fardo
E, após mirar o rival,
Sentir em si mesmo o dardo.

História do Filho Ingrato é um conto de exemplo que aparece em coletâneas europeias antes do século XIV, conforme Bráulio do Nascimento (Estudos do conto popular. Em sua versão mais famosa, o filho expulsa o pai de casa, oferecendo-lhe apenas uma manta para que se cubra. O filho ainda pequeno do ingrato pede ao avô a manta, divide-a no meio e diz ao pai que guardará aquela parte para quando chegar vez dele. O motivo, corrente na tradição oral do Brasil, inspirou um clássico da música sertaneja, “Couro de boi”, composto por Teddy Vieira. O conto adaptado para o cordel foi recolhido na Alemanha pelos Irmãos Grimm, que o publicou em sua coletânea Contos da criança e do lar.

Marúsia e o Vampiro é conto de horror mesclado a elementos de narrativas maravilhosas, a exemplo do episódio da morte e renascimento da heroína, presente em inúmeras histórias, a mais antiga delas “Os dois irmãos”, conto egípcio de mais de três mil anos. O vampiro do conto de que nos servimos, coletado por Aleksandr Afanas’ev (1826-1871) e incluído nos Contos de fadas russos, difere do personagem massificado pelo cinema a partir do romance gótico Drácula, do escritor irlandês Bram Stoker, publicado em 1897. Os povos eslavos (búlgaros, montenegrinos, bósnios, sérvios etc.) conheciam muitas classes de vampiros, mesmo antes da conversão de muitos deles ao cristianismo ou ao islamismo. A origem da crença em vampiros é obscura, mas se enquadra no medo ancestral incutido pelo possível retorno de um defunto que, para conservar uma ilusória sobrevida, se alimentava de fluidos vitais.

Autor: Marco Haurélio
Ilustração: Edusá
Edição: 1ª
Valor: R$ 40,00
Formato: 18 x 24 cm
Número de páginas: 40

ISBN: 978-85-7974-316-0

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Literatura de Cordel na final do Prêmio Jabuti


Ótima notícia para o mundo da literatura de cordel. O nosso livro Cordéis de Arrepiar: Europa (Editora IMEPH) Ilustrado por Edu Sá, o livro integra integra uma coleção coordenada por Arlene Holanda e Rouxinol do Antonio Carlos da Silva (Rouxinol do Rinaré).

Abaixo, uma estrofe de cada cordel:



Teig O’kane e o Cadáver

Quem anda na senda escura,
Com passo ligeiro ou tardo,
Terá de levar um dia
Da vida o pesado fardo
E, após mirar o rival,
Sentir em si mesmo o dardo.


















História do Filho Ingrato

Dizem que a ingratidão
É um defeito medonho.
Quem trata mal os seus pais
Terá um viver tristonho,
Pois a quem nos deu a vida
Não se ofende nem no sonho.



Marúsia e o Vampiro

Num reino muito distante,
Num tempo mais longe ainda,
Vivia um casal de velhos
Com sua filha tão linda
Que em toda festa da aldeia
Era presença bem-vinda.



Nota: Além de toda a equipe da IMEPH, na pessoa de sua diretora Lucinda Marques, agradeço os meus parceiros do Além: William Butler Yeats (1865-1939) Jakob (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786 -1859) e Aleksandr Afanas’ev (1826-1871), coletores das narrativas vertidas para o cordel.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Sarau no Mackenzie


Hoje à noite, tomarei parte no sarau do colégio Mackenzie Tamboré, ocasião em que reencontrarei o escritor e amigo Manuel Filho. Este ano, com o apoio da editora Nova Alexandria, visitei a unidade para falar do livro A Roupa Nova do Rei ou O Encontro de João Grilo com Pedro Malazarte. 

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A convite da Livraria Paulus de Salvador, participarei da 10ª Feira do Livro de Feira de Santana. Falarei sobre cordel e cultura popular. Falarei, em especial, do livro Literatura de Cordel:do sertão à sala de aula (Paulus). 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Peleja de BRAULIO TAVARES com MARCO HAURÉLIO





Há cerca de um ano, em animada conversa com Braulio Tavares, durante a Bienal do Livro de São Paulo, surgiu a ideia de uma peleja virtual que, depois, seria publicada em folheto. Na Bienal do Ceará, retomamos a ideia e, agora, a sorte está lançada.

Abaixo, uma amostra do que já foi produzido até o momento.

A peleja pode ser acompanhada, em tempo real no Facebook:

SEXTILHAS

Marco Haurélio
Dos poetas que conheço,
Destaco Braulio Tavares,
Pelas canções instigantes,
Pelos versos singulares,
Que têm o cheiro dos épicos
E das gestas milenares.

Bráulio Tavares
Eu destaco, entre os meus pares,
o poeta Marco Haurélio
com o vocabulário vasto
do Houaiss ou do Aurélio,
e o verso que sobe aos ares
igual um balão de hélio.

MH
Já que começou o prélio,
Meu amigo menestrel,
Com sua verve e sabença,
De quem à arte é fiel,
Responda, sem titubeio,
O que vem a ser cordel?

BT
Inspiração a granel,
Contos de fadas, de reis,
Cangaceiros, cantadores,
Pelejas e ABCs,
Tudo isso num livrinho
De 11 por 16.

MH
Tem versos de amor cortês,
Forjados com muito enlevo;
Nas cantigas que compões,
E nos romances que escrevo,
Vejo o futuro agarrado
Nas barbas do Medievo.

BT
É livre igualmente o frevo;
É nosso como o baião;
É clássico como a valsa;
Popular como o rojão;
Tem música, tem poesia,
Verdade, imaginação.


MH
É o canto do sertão,
Das cidades e das serras.
A voz que clama por paz,
O grito que cessa as guerras,
Nordestino e brasileiro,
Com ecos de longes terras.

BT
Tu certamente não erras
ao dizer que essa poesia
não tem somente beleza:
tem coragem e alegria
e entre os dramas do mundo
nos serve de luz e guia.

MARTELO AGALOPADO

BT
Sou menino criado na cidade
Nunca tive uma infância na fazenda
O sertão para mim foi uma lenda
Que pairou sobre a minha mocidade.
Conheci o sertão, isto é verdade,
Assistindo o cinema brasileiro;
Glauber Rocha me deu esse roteiro
E eu que sou bom aluno fui atrás...
Os chocalhos são sinos matinais
Nas dolentes canções do bom vaqueiro.

MH
E eu nasci numa casa de adobão,
Com a frente pintada de amarelo;
Era ali minha choça e meu castelo,
O meu reino encantado do sertão.
Escutando as canções de Gonzagão,
Mais as joias do nosso romanceiro,
Na varanda ou ao pé do juazeiro,
Espargidas por ventos ancestrais –
E os chocalhos são sinos matinais
Nas dolentes canções do bom vaqueiro.

BT
Lembro o carro de boi gemendo tanto
sob o fogo do sol do Cariri,
Muitas férias passei brincando ali
onde o sol cauteriza um solo santo.
Mas a noite descia com seu manto,
agasalho tão bom e hospitaleiro...
Eu dormia, acordava bem ligeiro
a ouvir badaladas lá por trás:
os chocalhos são sinos matinais
nas dolentes canções do bom vaqueiro.

MH
Desta imagem também jamais me esqueço:
Velho carro de boi com seu rangido:
Era alegre, era triste, era um gemido,
Cantilena sem fim e sem começo,
E a parelha seguia sem tropeço
Ao comando bem firme do carreiro.
Se hoje o carro apodrece no terreiro,
O carreiro é que geme em tristes ais:
Os chocalhos são sinos matinais
Nas dolentes canções do bom vaqueiro.


GEMEDEIRA

MH
Geme o país que nasceu
Da esperteza de Cabral;
Geme o pendão auriverde
Sob a triste bacanal;
Geme o índio, geme o negro
Ai! ai! ui! ui!
Nessa terra desigual.

BT
Todos gemem por igual
Nestas redes sociais,
Muro das lamentações
Onde todos são iguais:
Disputando com vaidade
Ai ai, ui ui
Para ver quem geme mais.

MH
Geme nos canaviais
O trabalhador exangue;
Geme o home-caranguejo
Soterrado sob o mangue;
Geme ainda o operário
Ai! ai! ui! ui!
Que morre cuspindo sangue

BT
No meio do bangue-bangue
Todo mundo chora e treme,
Pelos becos da favela
Passa bandido e PM
Uns que matam, uns que morrem
Ai ai, ui ui
Porém todo mundo geme.


GALOPE À BEIRA-MAR

MH
Mudando de estilo, por outras paragens,
Sigamos agora com nossa peleja:
Da grimpas dos Andes à chã sertaneja,
O verso permite diversas viagens.
Sem Timothy Leary a encher as bagagens,
Com fome e com sede do eterno buscar,
Nas tábuas de argila, nas mesas do bar,
Na longe Cocanha ou na caixa-prego
Na luz escondida nos olhos do cego,
Nos dez de galope na beira do mar.

BT
A rima deixada é a mesma que eu pego,
E ligo o motor pra subir nas alturas,
Nas asas do vento das literaturas
Eu vôo e eu nado, mergulho e navego.
Meu verso é composto de peças de Lego
É só ir pegando e depois encaixar
Formando um conjunto que dê pra cantar
Dizendo as belezas do mundo da escrita
Em verso e em prosa se escreve e recita
Cantando galope na beira do mar.

MH
Na velha Tebaida, me fiz eremita,
De lá alcei voo pra os mares do sul,
Vi Constantinopla virar Istambul,
E a sanha cruzada na terra ‘bendita’;
Vi Fitzcarraldo, com grande pepita,
Na verde floresta querer navegar,
Cantando uma loa para o rei Lear,
Pensando se estava tão longe ou tão perto.
Cansado de tudo, voltei ao deserto,
Sonhando que estava na beira do mar.

BT
Tornei-me famoso por ter descoberto
os grandes tesouros de terras distantes;
lutei contra gregos, salvei os atlantes,
mostrei a Colombo o caminho mais certo.
Na Besta Fubana do tal Luís Berto
montei corajoso e me pus a voar,
cruzando o espaço na luz do luar
por entre uma nuvem de naves e drones
igual um dragão de um Game of Thrones
cantando galope na beira do mar.

MH
Na terra tomada por fogo e ciclones,
Sorri o tirano de juba acaju,
Sentindo no rabo o tridente de Exu,
Enquanto se estorce na guerra dos clones;
E sobre as ruínas não há cicerones,
Nem sheiks barbudos e nem lupanar.
A paz posta a ferros, a guerra a gritar
E agentes laranjas trazendo pavor,
Deixando giestas na cova do amor
Nos dez de galope na beira do mar.

BT
País que se preza não quer salvador
Nação com moral não precisa de heróis
Precisa de votos, precisa de voz,
Lutando, cantando, do jeito que fôr.
Na hora difícil se sente o valor
Do quanto se perde e não pode salvar,
A guerra é a guerra, a terra é o lar,
O chão é do povo, a vida é da gente,
O mundo é cruel, mas a alma é valente
Nos dez de galope na beira do mar.


NO TEMPO DE PAI TOMÁS
PRETO VELHO E PAI VICENTE

MH
Caro poeta,
Afine a sua viola,
Busque dentro da cachola
A resposta mais certeira.
Nossa bandeira
Do cordel e do repente
É ampla e é abrangente:
Muitas novidades traz
No tempo de Pai Tomás
Preto Velho e Pai Vicente.

BT
Tô acordando
Dum sono bom e profundo
Retornando para o mundo
Pra ver o que acontece;
E me aparece
Marco Haurélio pela frente
Com um “balai” de repente,
Com cara de quem quer mais
No tempo de Pai Tomás
Preto Velho e Pai Vicente.

Xilogravura de Maercio Siqueira.



sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O Cabeça de Cuia, assombração do Piauí, ganha versão em cordel




Acaba de sair, pelo selo Edicom, mais um folheto  de autoria de Pedro Monteiro, A Lenda do Cabeça de Cuia. Piauiense, Pedro revisita um personagem-símbolo do folclore do seu estado, o Piauí. As xilogravuras da capa e do miolo são de Lucélia  Borges.

Abaixo, a  apresentação que fiz e as primeiras estrofes:

O Cabeça de Cuia, assombração que habita sob os leitos dos rios Parnaíba e Poti, no Piauí, chamou, desde cedo, a atenção dos folcloristas, a começar pelo baiano Alfredo do Vale Cabral, que assim o descreve: “É alto, magro, de grande cabelo que lhe cai pela testa e quando nada o sacode, faz suas excursões na enchente do rio e poucas vezes durante a seca. Come de 7 em 7 anos uma moça chamada Maria; às vezes porém devora os meninos quando nadam no rio, e as mães proíbem que seus filhos aí se banhem”.  (Achegas ao estudo do folclore brasileiro, 1884). A penitência, nascida de uma praga da mãe, duraria 49 anos. Luís da Câmara Cascudo, em Geografia dos mitos brasileiros (1948), atribui à lenda uma origem branca. O episódio da maldição materna aparece em lendas semelhantes, de visível cariz religioso, a exemplo do Corpo-seco, que assombra, sem descanso, o interior paulista.

Às observações dos mestres do Folclore é preciso acrescentar, porém, uma hipótese. O formato de cuia, símbolo da maldição, é o mesmo da Lua. O número 7, que, segundo Câmara Cascudo, “a Cabala da Babilônia julgava misterioso e sinistro”, remete aos dias da semana e aos ciclos lunares. As mais recentes pesquisas, como a feita pelo autor deste folheto, Pedro Monteiro, destoam em parte das informações registradas desde o século XIX. Quatro virgens já teriam sido devoradas pelo monstro, o que indica um ciclo completo da Lua (o Cabeça de Cuia só ataca à noite). A ligação da Lua aos ciclos da água é mais uma informação arcaica diluída no mito. O número total de virgens remete ao Setestrelo, o agrupamento de estrelas que os gregos chamavam Plêiades, filhas de Atlas e Pleione. Formam a cauda da constelação de Touro, e a sua posição no céu se explica pela perseguição a elas infligida pelo caçador Órion. A carne touro é a alimentação do jovem Crispim, antes da metamorfose, e é com um osso corredor, parte do fêmur, que ele mata a mãe. É possível, portanto, que a lenda do Cabeça de Cuia derive de um mito sideral (o de Órion perseguindo as Plêiades), fundido e refundido através dos tempos, que encontrou no Piauí, estado de grande tradição na pastorícia, um reflexo poderoso nas águas de seus mais importantes rios.


Eu peço vossa atenção
Aos versos que narro aqui,
São ricas oralidades
Num conto que recolhi
Junto ao povo ribeirinho
Das terras do Piauí.

Nas margens do Parnaíba,
Rio de rara beleza,
Sua paisagem revela
Encantos da natureza,
Na voz e crença do povo
O mito vira certeza.

Poti, outro grande rio,
De leito espetacular,
Tem correnteza serena
Com o dom de desnudar
Boa parte dos mistérios
Da história que vou contar.

Há no encontro dessas águas,
Além do deslumbramento,
Na foz desses dois gigantes
Vê-se com estranhamento,
Um monstro representado
Através de um monumento.

A arte do monumento
Retrata o jovem Crispim
Que a mãe amaldiçoou
Por um presságio ruim,
Como Cabeça de Cuia,
Foi este seu triste fim.

Diz a lenda que Crispim,
Depois que seu pai morreu,
Morava só com a mãe,
Da pesca sobreviveu,
Pois era o ofício do pai
E o único que ele aprendeu.

(...)

Suas últimas palavras
Ela proferiu assim:
— Por agir de forma rude,
Sem piedade de mim,
O seu futuro terá
A maldição como fim!

Como era já meio-dia,
Os anjos disseram amém!
Uma peitica cantou,
Logo em seguida um vem-vem...
Depois um rasga-mortalha
Marcou presença também.

Com o seu trinar sombrio
Um vento forte adentrou
Através de uma janela
E um mau-agouro lançou,
Até o seu santo de guarda
Caiu no chão e quebrou.


Contato com o autor:

(11) 99135-1919 - Tim
(11) 94113-6377 – Vivo

E_mail: pedromonteirocordel@gmail.com


terça-feira, 22 de agosto de 2017

A NOVA ALEXANDRIA CELEBRA 10 ANOS DA COLEÇÃO CLÁSSICOS EM CORDEL



A Literatura de Cordel vive um ótimo momento e está cada vez mais presente nas estantes dos brasileiros. A editora Nova Alexandria, ao criar a coleção Clássicos em Cordel, em 2007, contribuiu para inaugurar uma nova fase na história do gênero no Brasil. Com a coleção, o cordel chegou a programas de governo, e hoje é adotado em muitas escolas, com seus autores recebendo, enfim, o justo reconhecimento. Além da Clássicos em Cordel, o grupo editorial Nova Alexandria publica outra série voltada ao público infantil, que é igualmente um sucesso.

Para celebrar a coleção, que este ano completa 10 anos de sucesso, a Nova Alexandria todos a comparecer ao seu já tradicional Sarau Cordelista, que, além dos autores da casa, contará com outros poetas do movimento em São Paulo.

  •          O Conde de Monte Cristo – Adaptação de Marco Haurélio
  •          A Escrava Isaura – Adaptação de Varneci Nascimento
  •          O Corcunda de Notre-Dame – Adaptação de João Gomes de Sá
  •         Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda – Adaptação de Cícero Pedro de Assis
  •         As Aventuras de Robinson Crusoé – Adaptação de Moreira de Acopiara
  •         Romeu e Julieta – Adaptação de Sebastião Marinho
  •          Viagem ao Centro da Terra – Adaptação de Costa Senna
  •          A Volta ao Mundo em Oitenta dias – Adaptação de Pedro Monteiro


Será servido ainda um coquetel, mas o melhor do cardápio será mesmo a poesia ritmada do cordel.

SERVIÇO

Onde? Editora Nova Alexandria, Rua Engenheiro Sampaio Coelho, 111 (Próximo ao Museu do Ipiranga).
Fone: 2215 6252.

Quando? 26 de agosto (sábado),a partir das 15h.

sábado, 5 de agosto de 2017

Fortaleza recebe a Feira do Cordel Brasileiro


CAIXA Cultural Fortaleza recebe a II Feira do Cordel Brasileiro com lançamento no dia 17 de agosto (quinta-feira).
A Feira do Cordel Brasileiro acontece de 17 a 20 de agosto de 2017, em espaços da CAIXA Cultural Fortaleza, sob curadoria do cordelista e editor Klévisson Viana.



O Ceará se perpetua como o maior polo produtor de Literatura de Cordel desde os longínquos tempos da Tipografia São Francisco, em Juazeiro do Norte, posteriormente rebatizada de Lira Nordestina. A partir da década de 1990 essa produção acentuou-se na capital do Estado, sobretudo após o surgimento de associações de poetas, trovadores e folheteiros, tais como o CECORDEL, AESTROFE, entre outras, além da consolidada casa editorial TUPYNANQUIM Editora e da noviça Cordelaria FLOR DA SERRA.
Diante disso, Fortaleza sediará mais uma grande festividade literária ligada ao cordel e ao repente. Após o sucesso da primeira edição da Feira do Cordel Brasileiro: “Uma caixa de Cordéis para você!”, realizada em 2016, é o momento de reeditar e engrandecer o evento, que certamente será sucesso de mídia e de público. O lançamento será às 14 horas do dia 17 de agosto (quinta-feira), no teatro da CAIXA Cultural Fortaleza. A iniciativa é da AESTROFE (Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará) com patrocínio da CAIXA Econômica Federal e Governo Federal com o apoio cultural da Tupynanquim Editora, Cariri Filmes, Editora Imeph, Programa A Hora do Rei do Baião e Premius Editora.
            A programação 100% GRATUITA segue até dia 20 de agosto e reúne vários dos principais expoentes da Literatura de Cordel no País, além de emboladores, cantadores de viola e da música regional. Entre as atrações estão os músicos-cordelistas Jorge Mello, parceiro de Belchior em aproximadamente 40 canções; o cordelista, repentista e sambador Mestre Bule-Bule; a médica, cantora e cordelista Paola Torres; os grupos Tempo de Brincar; o jovem Rafael Brito e a Rabecaria; dos forrós Kutuca a Burra e Cacimba de Aluá. O evento conta ainda com show de repente pela dupla Geraldo Amâncio e Guilherme Nobre, além de muitas declamações pelos cordelistas Chico Pedrosa, Antônio Francisco, Klévisson Viana, Evaristo Geraldo, Lucarocas, Paulo de Tarso, Raul Poeta, Arievaldo Vianna e Tiago Monteiro.
            A feira traz ainda palestras, lançamentos literários, oficinas, a exibição do documentário “Cego Aderaldo – o Cantador  e o Mito”, de Rosemberg Cariry, como também a exposição e venda de folhetos de cordel, livro, camisetas e CDs. A curadoria é do cordelista e editor Klévisson Viana, vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura (2015) com o livro "O Guarani em cordel" (Ed. Amarylis, baseado na obra de José de Alencar).
Nesta edição, os homenageados serão o repentista Cego Aderaldo (50 anos de morte), os cordelistas Gonçalo Ferreira (80 anos), Arievaldo Vianna (50 anos), o Mestre Bule-Bule (70 anos), Zé Maria de Fortaleza (60 anos de viola) e o cordelista e xilogravador Mestre José Costa Leite (90 anos de vida e 72 anos de arte).
            A II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO objetiva incentivar a leitura da poesia de cordel, além de promover e fomentar o encontro entre o público em geral com os cordelistas, editores, repentistas, ilustradores e xilogravuristas da nossa tradicional literatura popular em verso. Apesar do linguajar simples e informal, a literatura de cordel é, hoje, revista como importante manifestação literária, pois é compreendida como uma das nossas primeiras manifestações poéticas em língua portuguesa, tendo sua origem na produção oral trovadoresca. Neste sentido, a Literatura de Cordel vem sendo cada vez mais aceita e estudada pelas academias e já possui uma Academia Brasileira de Cordel, fundada em 07 de setembro de 1988 com sede no Rio de Janeiro.
            Com cerca de 30 expositores, a II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO na CAIXA Cultural Fortaleza, durante os quatro dias de realizações - de 17 a 20/08/2017 - será um rico encontro entre os representantes do gênero, que também oferece ao público a oportunidade de conhecer a expressiva produção do melhor do cordel, da cantoria e da xilogravura nacional.

Serviço:
II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO
Local: CAIXA Cultural Fortaleza
Endereço: Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema
Data: De 17 a 20 de agosto de 2017
Horários: De quinta-feira a sábado, das 14h às 20h | Domingo de 14 às 19h
Classificação indicativa: Livre
GRATUITO

Acesso para pessoas com deficiência e assentos especiais
Bilheteria CAIXA Cultural Fortaleza: (85) 3453-2770
Atendimento à imprensa:
Helena Félix – (085) 99993-4920 / pontualcomunicacao@gmail.com e
Kiko Bloc-Boris – 
(085) 98892-1195 / kikobb@gmail.com

Assessoria de Imprensa da CAIXA Cultural Fortaleza (CE)
Kelvia Alves – (085) 99943-4767 / kelvia.souza@grupoinforme.com.br

www.caixa.gov.br/imprensa | @imprensaCAIXA
Acesse o site www.caixacultural.gov.br
Siga a fanpage: facebook.com/Caixa Cultural Fortaleza
Baixe o aplicativo “Caixa Cultural”

PROGRAMAÇÃO COMPLETA
17 DE AGOSTO (Quinta-feira)
Teatro da Caixa:
14h – Abertura oficial da II Feira do Cordel Brasileiro
Homenageados:
1.    Cego Aderaldo – 50 anos de morte | Gonçalo Ferreira – 80 anos |
2.    Arievaldo Viana – 50 anos | Mestre Bule-Bule – 70 anos |
3.    Zé Maria de Fortaleza – 60 anos de viola | José Costa Leite – 90 anos

14h40 – Apresentação da peça “Bagunça dos Brinquedos” (adaptação do cordel de Mariane Bigio) com Crianças do Pio IX (PI)

Palco Cego Aderaldo:     
15h – Forró de raiz com Cecília do Acordeom (Redenção - CE)
15h30 – Rafael Brito e a Rabecaria (Fortaleza - CE)
16h – Declamação com Tiago Monteiro (Pocinhos - PB)
16h30 – Declamação com Paulo de Tarso (Tauá - CE)
17h – Tempo de Brincar (Sococaba - SP)
18h – Geraldo Amâncio e Guilherme Nobre (Fortaleza - CE)
19h – Mestre Valdeck de Garanhuns (Guararema - SP)

18 DE AGOSTO (Sexta-feira)
Teatro da Caixa:
14h – Palestra “Receitando Cordel” com os médicos cordelistas Paola Torres (Fortaleza-CE), Sávio Pinheiro (Juazeiro do Norte-CE) e Breno de Holanda (Fortaleza-CE). Mediação: Assis Almeida (Fortaleza-CE)
14h – Oficina de xilogravuracom Sergio Magalhães (Itapajé – CE)
14h – Oficina de xilogravura com João Pedro do Juazeiro (Fortaleza – CE)
Palco Cego Aderaldo:
16h – Recital com Evaristo Geraldo da Silva (Alto Santo – CE), Lucarocas (Fortaleza – CE) e Arievaldo Viana (Caucaia – CE)
17h – Declamação com Dideus Sales (Aracati – CE)
17h30 – Embolada com Marreco e convidado (Fortaleza – CE)
18h15 – Mestre Valdeck de Garanhuns (Guararema - SP) em “A grande peleja de Benedito com Guilherme Nobre”
19h15 – Mestre Chico Pedrosa (Olinda – PE)

19 DE AGOSTO (Sábado)
Teatro da Caixa:
14h – Palestra “A Literatura de Cordel no panorama brasileiro” com Jorge Melo (São Paulo – SP), Marco Haurélio (São Paulo-SP), Oswald Barroso (Fortaleza – CE). Mediação: Eduardo Macedo (Fortaleza – CE)
14h – Oficina de Cordel com Rouxinol do Rinaré (Fortaleza – CE)

Palco Cego Aderaldo:
15h – Recital com Antônio Francisco (Mossoró - RN)
16h – Tempo de Brincar (Sorocaba - SP)
17h – Raul Poeta (Juazeiro – CE)
18h – Tião Simpatia e o show “Canto Cordel” (Fortaleza – CE)
19h – Mestre Bule-Bule (Camaçari – BA)

20 DE AGOSTO (Domingo)
Teatro da Caixa:
14h – Palestra “Cego Aderaldo, o trovador do Nordeste” com o cineasta, escritor e pesquisador Rosemberg Cariry (Fortaleza-CE), o historiador João Eudes Costa (Quixadá-CE) e com o pesquisador e cordelista Arievaldo Viana (Caucaia-CE). Mediação: Poeta Orlando Queiroz

Palco Cego Aderaldo:     
16h30 – Chico Pedrosa (Olinda-PE) e Antônio Francisco (Mossoró - RN)
17h30 – “Kutuka a Burra” – Forró Pé de Serra (Fortaleza – CE)
17h30 – Canções de Viola com Antônio Jocélio (Fortaleza – CE)
18h – Marco Lucena (RJ) e Cacimba de Aluá (Fortaleza – CE)
19h – Encerramento com o Mestre Bule-Bule (Camaçari – BA)

EXPOSITORES:
1 - ABLC – Rio de Janeiro – RJ
2 - AESTROFE – Fortaleza - CE 
3 - CECORDEL – Fortaleza – CE
4 - Olegário Alfredo e Ricardo Evangelista – Belo Horizonte – MG
5 - Rouxinol do Rinaré – Fortaleza – CE
6 - Evaristo Geraldo da Silva – Alto Santo – CE
7 - Francisco Melchiades – Fortaleza – CE
8 - Arievaldo Viana – Caucaia – CE
9 – Eduardo Macedo
10 - Valentina Monteiro – Campina Grande – PB
11 - Nonato Araújo – Fortaleza – CE
12 - João Pedro do Juazeiro – Fortaleza – CE
13 - Valdeck de Garanhuns – Guararema – SP
14 – Regina Drozina – Guararema – SP
15 - Chico Pedrosa – Olinda – PE
16 – Editora Coqueiro – Olinda – PE
17 – Tupynanquim Editora – Fortaleza – CE
18 – Edições Patabego
19 – Cordelaria Flor da Serra
20 – Francorli – Juazeiro do Norte – CE
21 – José Lourenço – Juazeiro do Norte – CE
22 – Geraldo Amâncio e Guilherme Nobre – Fortaleza – CE
23 – Lucarocas (Fortaleza – CE)
24 – Jotabê
24 – Francisco Melchíades


SOBRE OS HOMENAGEADOS

ü  CEGO ADERALDO (Aderaldo Ferreira de Araújo) – 50 anos de morte (24 de junho de 1878 + 29 de junho de 1967)
No dia 29 de julho de 2017 completaram-se 50 anos do desaparecimento daquele que é considerado um dos mais importantes poetas populares nordestinos, Aderaldo Ferreira de Araújo - o famoso Cego Aderaldo. Nascido no Crato (CE), ele veio morar muito jovem na cidade de Quixadá (CE), depois de ficar órfão de pai, empregando-se na estrada de ferro. Cegou aos 18 anos. Trabalhava abastecendo uma caldeira quando tomou um copo de água fria e os olhos estalaram imediatamente, fazendo com que perdesse a visão pelo resto da vida. Comprou então o seu primeiro instrumento e descobriu que sabia fazer versos. Achava humilhante ter que pedir esmolas por isso exerceu diversas profissões: além de cantador foi comerciante e exibia filmes num cinematógrafo lhe presenteado por Ademar de Barros, ex-governador de São Paulo.
ü  GONÇALO FERREIRA – 80 anos
Cearense da cidade de Ipu, o poeta, contista e ensaísta Gonçalo Ferreira da Silva nasceu no dia 20 de dezembro de 1937. Aos 14 anos transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde, em 1963, publicou pela Editora da Revista Rural Fluminense o primeiro livro: “Um resto de razão”, coletânea de contos regionais do Nordeste. Em 1978 iniciou sua produção de literatura em cordel, quando, ao realizar estudos sobre cultura popular na Fundação Casa de Rui Barbosa, conheceu o pesquisador Sebastião Nunes Batista e em companhia dele passou a frequentar a Feira de São Cristóvão. Muito exigente com a forma, tem estrofes primorosas em seus mais de 200 trabalhos já publicados. Também escreveu livros em prosa, como uma biografia romanceada do cangaceiro Lampião. É fundador e atual presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC, situada no bairro de Santa Tereza (RJ).

ü  ARIEVALDO VIANNA (Arievaldo Vianna Lima) 50 anos (18 de setembro de 1967)
Nascido aos 18 de setembro de 1967 na fazenda Ouro Preto (Sertão Central do Ceará), o escritor Arievaldo Vianna foi criado à luz de lamparina, em contato permanente com as cacimbas dos saberes do povo nordestino. Foi alfabetizado em meados de 1970, graças ao valioso auxílio da Literatura de Cordel. Estreou na imprensa em 1982 no Jornal de Canindé e, logo em seguida, passou a publicar seus trabalhos no Caderno de Domingo do jornal O POVO, de Fortaleza. A partir dos anos 1980 vem publicando diversos folhetos, alguns em parceria com Gonzaga Vieira, Klévisson Viana, Pedro Paulo Paulino, Jota Batista e Sílvio Roberto Santos, entre as dezenas de livros com temática diversa e mais de 120 folhetos de cordel já publicados. É também xilogravador, chargista e ilustrador. Participou, ao lado de Dominguinhos, Assis Ângelo e Sinval Sá, de documentário da TV Câmara de Brasília sobre o Centenário de Luiz Gonzaga.
Criador do projeto “Acorda Cordel na Sala de Aula”, que utiliza a poesia popular como ferramenta paradidática, tem percorrido o Brasil realizando palestras, oficinas e recitais para estudantes, educadores e amantes da poesia popular nordestina. Foi eleito em 2000 para a cadeira de número 40 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, cujo patrono é o poeta João Melchíades Ferreira (1869 – 1933). Conquistou o premio Domingos Olimpio de Literatura, promovido pela Prefeitura de Sobral-CE, com a adaptação do romance “Luzia Homem” para o cordel. Foi redator e consultor de uma série de programas sobre Literatura de Cordel, exibida pela TV ESCOLA (Programa “Salto para o futuro”). Tem vários livros adotados em programas governamentais, como o PNBE, do Ministério da Educação.

  MESTRE BULE-BULE (Antônio Ribeiro da Conceição) – 70 anos (22 de outubro de 1947)
Um dos mestres da cultura popular nordestina mais renomados do Brasil, Antônio Ribeiro da Conceição, cujo nome artístico é Bule-Bule, nasceu em 22 de outubro de 1947 na cidade de Antônio Cardoso (BA), uma região onde as influências culturais do sertão e do recôncavo baiano se misturam e contribuíram decisivamente para o arcabouço artístico deste grande poeta. Figura emblemática da cultura popular, também é um excelente cordelista com mais de 100 títulos publicados; um exímio sambador e tiraneiro, além de forrozeiro de grande valor, tendo todas estas virtudes comprovadas nos oito discos e dois DVDs gravados em mais de 45 anos de carreira.
Ao longo da trajetória, Bule-Bule fez shows e concedeu palestras nos quatro cantos deste Brasil e do mundo. Já dividiu o palco com renomadas figuras como Gilberto Gil, Beth Carvalho, Gabriel o Pensador e Tom Zé, em apresentações nos Estados Unidos, na Alemanha, Espanha e em Portugal. Em 2008, Bule Bule foi condecorado com a maior premiação brasileira para a Cultura, a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura, e em 2017 foi um dos homenageados da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará.

  ZÉ MARIA DE FORTALEZA (José Maria do Nascimento) – 60 anos de viola
            Zé Maria de Fortaleza é o nome artístico de José Maria do Nascimento, nascido em Aracoiaba (CE) em 07 de agosto de 1945. É cantador, repentista, músico, ator e cordelista. Membro da Academia Brasileira da Literatura de Cordel (ABLC), cadeira nº 24, que tem como patrono o poeta Francisco Sales Areda. Vice-presidente da Academia Brasileira de Cordel (ABC), filiado à Ordem dos Músicos do Brasil, à União dos Compositores Cearenses (UCC), à Associação dos Cantadores do Nordeste (ACN), à Sociedade dos Amigos da Arte (SOAMA) e vice-presidente da Associação de Escritores Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará (AESTROFE). Também cursou Teoria Musical no Conservatório de Música Alberto Nepomuceno e foi certificado nos cursos “Influência afro na cultura brasileira” e “História da música popular brasileira”.
Há muitos anos vem ministrando cursos, palestras e oficinas sobre a literatura de cordel em vários estados brasileiros. Tem dezenas de cordéis publicados, além de três (03) livros: “Gramática em cordel” (Editora IMEPH), “A lenda do vaga-lume” (Escala Educacional – SP) e “Fragmentos da literatura popular cearense”, este em parceria com Dr. Antônio Ferreira. Zé Maria tem ainda 10 CDs gravados e três (03) DVDs. Apresenta semanalmente o programa “Canta Brasil”, na Rádio Cidade AM 860, em Fortaleza (CE).

  JOSÉ COSTA LEITE – 90 anos (27 de julho de 1927)

José Costa Leite diz que nunca frequentou a escola tradicional, tendo aprendido a ler soletrando os folhetos de cordel. Nascido em 27 de julho de 1927 em Sapé (Paraíba), muda-se em 1938 com a família para Pernambuco, fixando residência em Condado, cidade aonde mora até hoje. Ainda criança trabalhou nas plantações de cana-de-açúcar e fez os seus primeiros versos, imitando o cordel. Em 1947 começa a vender folhetos nas feiras do interior e, em 1949, publica os seus primeiros títulos: “Eduardo e Alzira” e “Discussão de José Costa com Manuel Vicente”. Logo em seguida, improvisa-se como xilógrafo, gravando na madeira a imagem que ilustra o seu terceiro título “O rapaz que virou bode”. Torna-se assim, um profissional polivalente, exercendo todas as atividades ligadas à literatura popular: é poeta, editor, ilustrador e continua a vender folhetos, de feira em feira.
Ele verseja sobre praticamente todos os temas do cordel, sendo José Costa Leite o autor de clássicos como “A carta misteriosa do Padre Cícero Romão Batista”, “O dicionário do amor” e “Os dez mandamentos, o Pai Nosso e o Credo dos cachaceiros”. Além das histórias em verso, publica anualmente o “Calendário Brasileiro”, almanaque astrológico de 16 páginas contendo diversos conselhos práticos e um grande sucesso junto ao público. Denomina sua folhetaria “A Voz da Poesia Nordestina”. Em 1976, recebeu o Prêmio Leandro Gomes de Barros da Universidade Regional do Nordeste (Campina Grande - Paraíba) pelo conjunto de sua obra, talvez a mais extensa da literatura de cordel brasileira, em número de títulos.
Suas xilogravuras ilustram inúmeros folhetos – tanto os seus, como os de outros poetas – e ganharam status de obra de arte, a partir dos anos 1960, quando passaram a ser publicadas em álbuns e expostas em museus, tanto no Brasil como no exterior. Em 2005, José Costa Leite foi o convidado especial de uma exposição realizada no Musée du Dessin et de l’Estampe Originale de Gravelines (França), onde também fez ateliês de xilogravura.

Ao completar 80 anos, em 2007, foi homenageado na Paraíba, juntamente com o escritor Ariano Suassuna, recebendo o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, reconhecimento máximo a um artista de múltiplos talentos, que faz da poesia e da beleza a matéria-prima do seu labor. As informações sobre José Costa Leite constam em entrevistas dadas a Everardo Ramos nos anos de 2000, 2005 e 2008. (Fonte: www.casaderuibarbosa.gov.br/cordel).